Ecoles d'art, Portugal
Ana , Portugal

 

Ana Maria Campino, História de Arte, museologia

 

Porque decidiu ir estudar para França

A minha paixão pela língua e cultura francesas remonta aos 12 anos, quando comecei a estudar na Alliance Française. Desde aí percebi que, qualquer que fosse o caminho profissional que escolhesse, gostaria de estudar em França. Durante a minha licenciatura em História de Arte em Lisboa descobri que a Ecole du Louvre, em Paris, organizava seminários de verão de museologia para estrangeiros. Candidatei-me, consegui frequentar esse curso de duas semanas. No último ano da licenciatura contactei o Campus France para me ajudar a candidatar a esse mestrado na Ecole du Louvre e consegui entrar. 

 

E agora ?

Agora consegui fazer um estágio no Museu Calouste Gulbenkian e permanecer por lá, a trabalhar sobretudo na produção de exposições temporárias, o que significa, entre outras coisas, ajudar na gestão de empréstimos de obras de arte vindas de museus de todo o mundo, e muitas vezes de França. Ter tido uma formação em Paris me deu instrumentos, conhecimentos e contactos que são fundamentais para as minhas tarefas quotidianas e para todos os projectos onde estou envolvida.  

 


O que foi o mais difícil?

Em Paris o ritmo de vida é muito mais acelerado que em Lisboa, tudo parece estar mais longe: as pessoas, que vivem e estudam em pontos opostos da cidade; os sítios - acessíveis, mas distantes. Sente-se muito mais competitividade porque também há muito mais gente e vinda de todo o mundo - e isso obriga-nos a pôr em evidência as nossas especificidades, o que, para um estrangeiro, até pode ser uma vantagem, desde que conheça os códigos estabelecidos e que se preocupe em mostrar a coerência das suas ideias e percurso.  

 

Do que mais gostou?

Paris é uma cidade enorme - o cosmopolitismo, o dinamismo, ter a oportunidade de aceder a tudo aquilo que estamos a estudar com imensa facilidade, o que, no meu caso, significa poder ver as obras de arte que estudei durante toda a vida, ir a exposições e museus de referência, variados e estimulantes, ter acesso a livros que não existem em Portugal, estudar em bibliotecas até às 11 da noite e ao fim-de-semana.  

Paris est une ville énorme, cosmopolite, dynamique, on a l’opportunité d’accéder à tout ce que nous sommes en train d’étudier avec beaucoup de facilité ce qui dans mon cas signifie voir les œuvres d’art que j’ai étudié toute ma vie, aller à des expositions et des musées connus, variés et stimulants, avoir accès à des livres qui n’existent pas au Portugal, étudier dans des bibliothèque jusqu’à 23h du soir et les fin de semaine.

 


Conselhos para futuros estudantes

O principal conselho é estarem conscientes que se não se souberem expressar muito bem em francês será muito mais difícil ou quase impossível ter sucesso, sobretudo na minha área, onde a língua é um instrumento fundamental. Não se assustarem com a dimensão da cidade e não se isolarem - tanto na comunidade portuguesa, como em si mesmos. Finalmente, estarem cientes que é um ensino exigente, diferente, muito preocupado com a coerência e a estruturação das ideias.